quinta-feira, 24 de abril de 2008

O Grande Gatsby - O declínio do sonho americano

Mia Farrow, na adaptação para o cinema de O Grande Gatsby por Francis Ford Coppola


Sem fazer as vezes de Francis Scott Fitzgerald, mas se O Grande Gatsby pudesse ter um subtítulo, talvez este citado no título deste post se encaixaria perfeitamente no que a sua obra pretende apresentar.
The Great Gatsby (título original) é um retrato devastador dos EUA pós 1ª guerra mundial. Um país imerso numa depressão econômica nunca antes vista, numa imensão de dúvidas onde as certezas sobre as pretensões daquele país sobre o seu destino e o do mundo começariam a tomar forma então a partir dali, até os nossos dias.
Toda a situação é bem desenhada por Fitzgerald, mas parece que, por algum momento, houve uma espécie de Wonderland no meio da América, tal como aquela em que a Alice foi transportada através do espelho. O "País das Maravilhas" poderia ser muito bem a casa do magnífico Gatsby. Nas linhas que apresentam as festas suntuosas na casa de Gatsby vemos uma outra América, observamos naquelas noites o ideal da terra promissora, encantada, portentosa, vemos a terra da esperança. A mansão de Gatsby era o reduto da salvação, ali não havia depressão, nem econômica, nem emocional. Mas enquanto os olhos correm por aquelas linhas instituídas por F. S. Fitzgerald, começamos a notar também que se há algo verdadeiro nas festas, nos convidados e no próprio protagonista, esta verdade reside nas aparências, a "aparência" é a maior verdade e talvez a única.
Gatsby tinha um objetivo muito bem definido ao conceder as festas em sua mansão, festas que num primeiro momento é vista de longe por Nicky Carraway, o narrador, que posteriormente viria a se tornar amigo de Gatsby e ser convidado pelo anfitrião para compartilhar das alegrias e festividades em seu jardim. O objetivo do anfitrião era recuperar um amor perdido, não necessariamente perdido, mas ausente, distante de Daisy - síntese homogênica da mulher americana sem identidade, do início do século XX. O que a priori parece ser mais uma daquelas fábulas de amor, com celebrações e reivindicações súbitas pelo verdadeiro amor, começa a ganhar contornos de uma tragédia, que a fará situar-se cronologicamente no tempo e na própria realidade do mundo de então.
Daisy, amor de longa data de Gatsby, havia se casado com o também milionário Tom Buchanan. Gatsby e Daisy não se viam há cinco anos. Na ocasião do casamento de Daisy com Tom, Gatsby era pobre, o que o deixava em desvantagem em relação a Tom em chances de contrair matrimônio com Daisy. Foi quando Gatsby traçou o plano de construir um império - enriquecer e reconquistar a amada; a barganha monetária e visibilidade social de Gatsby, em seu pensamento, seriam diferenciais para alcançar a sua meta. Enfim, passados os anos, Gatsby enriqueceu - por motivos que o leitor tomará conhecimento no decorrer da história contada por Nick Carraway, que tem participação discreta na trama - mas os intentos do protagonista não tomaram forma, ou o resultado não apresentou-se como Gatsby planejava.
Gatsby comprou uma mansão nas vizinhanças de Daisy para justamente chamar a atenção desta, mas nem Daisy, nem Tom compareciam às festas promovidas por Gatsby, a situação o tornava uma pessoa solitária, em meio a toda a high society do leste americano, quando então o anfitrião se aproxima de Nick, narrador da história. Nesta trama serão exibidos os estratagemas dos hábitos inúteis de uma comunidade fútil, principalmente quando Gatsby percebe que seus objetivos, canalizados pelas noites de bebidas e comidas, patrocinadas no vasto jardim de sua mansão, não serão alcançados, ao menos da forma como sempre sonhou. Talvez não haja nenhum romance tão fotográfico para exibir ou antecipar o American Way Life, exibindo-o de dentro para fora, numa época em que Hollywood começava a ser a referência cultural que viria a ser então exportada e exibida para o mundo através dos movimentos mágicos dos pés de Fredie Astaire, posteriormente, pela alma amarfanhada de Montgomery Clift, ou pelos olhos de Bette Davis.
A esperança levada até o fim por Gatsby era como o castelo da Disney - lindo e superficial - era quase infundida. Como um castelo que não é habitado, só serve de imagem e fantasia, mas fazemos de conta que ele tem sua razão e brilha aos nossos olhos de quem vai até ele para admirá-lo.
A literatura, como já presenciado tantas vezes, é manejada como a pedra filosofal para tencionar e medir as possibilidades da alma e dos instintos humanos, sem que estas representações possam ser identificadas como simples exageros ou somente frutos das imaginações dos artistas que com ela trabalham. Tanto Gatsby, como Clarissa Dalloway (Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf), Eduard e Charlotte (As Afinidades Eletivas, de Goethe), são retratos, vezes pútreos, vezes imprevísiveis num espaço bucólico ou mesmo sórdidos, mas sempre humanos de um sumário questionamento de nossos papéis sociais, de nossas relatividades no mundo.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Falso Império

O início: cinco da manhã. Um bocejo, uma piscadela, uma sensibilidade do ar quente que emana de dentro das cobertas. A noite ainda continua gélida, intimidante, energizante com o desafio que ela propõe. Não me proponho a nada, me desenho, me limo, me sonho. Quero ser o que os meus desejos não são. Enternecer-me por completo nos meus braços franzinos, arrepiados, tecidos e enervados, do calor e do frio.

Já são quase dez, o corpo treme, a cabeça mantém o tísico equilíbrio das coisas, da razão da matéria em volta. O trabalho é necessário para que mantenha ao menos o sentido de libertação desperto, vivo.

Mas o mundo todo, todas as ruas e calçadas estão cobertas de papel e caixas de papelão, como se tudo precisasse ser limpo e guardado, há doença por toda a parte, há uma bagunça generalizada da qual nossos olhos se acostumaram. Me acostumei.

Dezoito horas e nada mudou de um quarteirão para o outro, de um parágrafo a outro... É tudo tão igual e permanente, não incita-se a permanência, mas o fim das coisas, o cessar da música e dos ruídos surdos que ouvimos no construir interminável de nossas vaidades.

Rogai o império, o falso império. Temei a luta, a ardil batalha. Não fomos melhores, só fizemos barulho.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Paixões que Alucinam



Tudo pelo Pulitzer. Manicômio; a insensatez como viés para o reconhecimento; a glória. Samuel Fuller, como de costume, joga com as imagens para atordoar quem assiste à seus filmes. A junção de preto e branco acético com as alucinações coloridas tonalizam o desejo do diretor; não são flashbacks, são imagens desorientadoras, deformando a percepção sobre a verdade e a mentira, a distinção entre o sensato e o insano.


Mesmo com orçamento modesto, Sam Fuller, aliado a fotografia febril de Stanley Cortez, desenha e dá os parâmetros da história de loucura que se funde a razão (ou vice-versa) para angariar os objetivos que darão a tão desejada reputação ao protagonista, vivido por Peter Breck, ainda que estes sejam basicamente construídos pela vaidade. O jornalista Johnny Barrett se interna em um hospital psiquiátrico com o intuito de desvendar um assassinato ocorrido na instituição e, com isso, ganhar fama, reconhecimento e conquistar o Prêmio Pulitzer. O protagonista mede os meios para o fim mas não as conseqüências. Está criado o laboratório perfeito por Fuller para retratar a América.


Quem são os loucos, os insanos? Os normais, quem são?


As deduções e conclusões ficam a cargo de cada um que assiste a esta película pertubadora. O filme inicia-se e encerra-se com a seguinte frase de Eurípides:


"A quem Deus quer destruir, primeiro o enlouquece."


Uma bela parábola política por um cineasta instigador, incoseqüente, no melhor sentido da palavra.

Ficha Técnica:

Título Paixões que Alucinam (Shock Corridor)

Direção e Roteiro: Samuel Fuller

Ano de produção: 1963

País: EUA

Elenco: Peter Breck, Constance Tower, Gene Evans e James Best

Direção de Fotografia: Stanley Cortez

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Just Enough Education to Perform

Chuva. Quarto com um ar de demasia humana. Pó. Make me feel like one. Beber o quê? Beber a água da chuva. Em tese, na verdade, deixar-se render o tempo debaixo das travadas gotas de chuva que fazem um barulho teso no telhado...

Na escrivaninha adoto uma postura um pouco maniqueísta, esqueço o mundo de lá de fora. Ouço risadas na cozinha, ouço os carros na rua, ouço o latido dos cães que não tem teto divindo o barulho, o espaço com os carros, com os quais a minha mente se azucrina -gostaria de ter esquecido, afundada em suas preocupações.

É um modo de educar-me em relação ao que não me é alcançável. Não estou inerte, nem preguiçoso. Estou muito bem agasalhado com a manta nos ombros quase debruçado sobre a mesa, as mãos pouco retesadas, trêmulas mais pelo peso dos ombros postulado pela manta tepe, quente, gostosa. Todos os dias poderiam ser queimados assim, de alguma forma. Na insensibilidade e na vunerabilidade de nossas sensações, alguma forma, de forma ordinária, todas as nossas confusões teriam um pouco mais de sentido de serem, então, confusas.

Mas não categorizo a sabedoria dos samurais, as divindades lamas, a tapeçaria persa, o caldo verde na tigela branca.

Há um temor e inveja da chuva. Da natureza como de toda a grandeza e imensidão inalcançável, como disse.

Entender as minhas confusões é o primeiro passo para a educação suficiente para a performance sobre a minha vida.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Sem título

Um dia o sol brilha
na cabeça uma idéia estala,

os resumos dos papéis espalhados pela sala.

Duvido do sol,
a chuva me dá razão.

Os comentários do sorriso que trouxe paz...
era o silêncio como um barulho bom

Temos uma casa para arrumar,
um coração desajustado talvez,
que pede um pecado de vez em quando.

De vez em quando você nunca escuta.

O choro vem como estivesse marcado
A beleza e a tristeza rompem o processo de sermos iguais.

A tua boca o arco
a negação a flecha:
Escolhi cair sozinho.

A queda dá sentido aos confusos.

Amor e mensagem
Imagem e torpor
Imaginei que pudesse resistir que pudesse esquecer
mas a seta, fez casa em mim
validando meu coração e as horas que passei pensando no agora.

 

*texto originalmente escrito em 16 de novembro de 2004

Carnaval do Sol

O sol decidiu que precisava descansar em meio a folia dos astros,
foi descansar.

Estamos neste dia cinza,
acolhidos pela fuga do sol.
Amanhã ele volta...! -

Notícias, previsões, premonições.
Os trovões assustam com o seu temível estrondar,
a chuva com o seu descompromisso sincero de ser radiante,

Molha tudo e a todos
e traz um pouco mais de vida, mesmo com os descontentes com sua presença.

Foi carnaval, o sol sabia disso e decidiu eliminar os radicais livres de seus raios escondendo-se da face de nossa terra,

Isso pode ser um crime para alguns,
para outros é bom porque refresca...

Os dias podem parecer mais saudáveis com a presença do sol,
nem sempre mais felizes.

 

*texto escrito originalmente em 25 de fevereiro de 2004

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

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Desculpe.

Bom-dia.

Olá.

Au revoir...

A despedida é sempre algo estranho, não reside em pensamento, apartamento, alma ou palavra, está solta, esperando a próxima razão que vai lhe conceber valor e fazer valer o seu devido uso:


“Adeus, meu amigo.

Espero que a tacada da vida nos leve a outros bares, a nova embriaguês. Que nos leve a cantar perambulando pelas calçadas desta cidade provinciana, quando não há mais noite, nem dia, nem sossego, só o mote para o estampido de nossas vozes em crescente absurdo ressoando no acrílico dos teus óculos, nas vidraças das venezianas pudicas dos vigaristas que nos espionam, riem e choram de nossa coragem, da nossa virilidade exposta e da nossa leviandade incontida.

Adeus, meu amigo.

As tuas horas foram mais minhas que tuas, o teu suor foi mais casto que o meu, teus olhos mais cegos que a faca que atenua o meu terçol, o teu beijo num consciente dormente das minhas mais vagas loucuras sãs. Rebentei-te nos dedos, aprumei-te com amor, carreguei-te nos braços frouxos, com voz rouca aligeirei-te em tuas discórdias com os teus inimigos, insinuei desavenças já com a camisa abençoada com o teu sangue. Bruto. Sereno. Obtuso. Qual é a tua? Que porra honras? Que mentira desfias?

Adeus, meu amigo.

Sou humano na tua dúvida perversa. O caminho de tua sapiência está fincado em códigos binários que pr'o meu governo não representam nada. Mas largo-te, e não é ao acaso que a cena que desenhas com teu abraço é a representação mais linda da fuga do horror que te destrói nas merdas desta vida... Estás lindo, eu sei. Invejo-te na soberba e nas paixões, clamo-te nas dores e nas saudades e na previdente ternura que te perfuma, como sândalo, os teus músculos e o teu sexo.

Adeus, meu amigo.

Estou contigo mesmo na desonra, ainda que precise perfurar os teus olhos para não intimidar-se com os sombrios pensamentos, com a escuridão que o atormentam. Sabido do amor, sabido da coragem, sabido da verdade, dilacerastes com precisão a minha carne a ponto de meu desejo basear-se somente em reconstituí-la provendo de tua alma e de tuas artérias que pulsam vida, desencadeadas por vasos que serpenteiam todo o teu corpo, irrigam tua face, as tuas mãos cavas. Adeus, meu amigo. Os alardes das vilezas trincam até os dentes, desmoronam até o coro que balizam a sinfonia de meu coração...

Permaneço cá, como uma gota num copo transbordado.

Adeus, meu amigo."

*Texto escrito originalmente em 29 de setembro de 2006.

Sendo

Uma pausa às línguas estranhas, ao cotidiano que não é meu, a verdade que não amanhece e não divide a mesa do meu café...

O pão queimou na tentativa de fazer torrada e era apenas um pote e o seu resto de manteiga, agora é só um pote: minha verdade. Na tentativa de comer flores, me engasguei com os espinhos. A realidade está espalhada pelo meu quarto: minha cama, os chinelos, alguns pensamentos jovens já envelhecidos e uma vontade louca e abstrata... tudo por uma felicidade, como todo mundo (ou como poucos).

Desemboca a perspectiva, a percepção, que em mim nunca foram muito boas, talvez fossem quando tive nove anos... hoje são vinte e seis, e o raio desta esfera permanece inalterado desde os nove, mas é como se tivesse se expandido na proporção em que cresço, em que a minha ignorância amadurece e percebo que os musicais do cinema são apenas os movimentos causuísticos da tela, Billie Holliday apenas Billie Holliday, Ovolmatine apenas aglomerado de açúcar misturado ao leite, e meu estômago não é de aço.

Se sou forte? Claro! Eu não teria sobrevido a queda de minha infância, não teria forças então para encarar a mesa do café, a mesma que testemunha o pão queimado e a tentativa frustrada de fazer torrada...

Amigo, uma pausa à sua deficiência, a minha incoerência e a nossa inexatidão, deixe-me que vou lhe mostrar o que me separa do mundo: JANELA. Mas através dela tenho a certeza do sol. (Voltei a sorrir, acho).

*Texto escrito originalmente na noite de 26 de agosto de 2006.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Prum "brejim" pra lá do Wyoming...



Simula Factory, de Martha Wainwright, para manter a leveza de todo o dia... Momento de brevidade, sim, mas não único. Ah, caipirinha sertaneja, dos confins canadenses... Idílio é sua voz. Estou idiota. Conecto-me também a canção dos Triplets, do musical The Band Wagon, a essa minha audição, de lá do brejo, lá do norte, bem norte das Américas.

Mas saí do musical, voltei aos braços de Martha, melhor, à voz de Martha, e a ouço cantando tão linear I'll Be Seeing You. É mágica. Até música de natal ela canta. Não é mais natal, nem vai ser. Aliás, vai ser, mais pro fim do ano, só. Está longe? Nada! Vem logo, num instante. As luzinhas voltarão a rodear as árvores. Piscar nas residências. That's enternainment. Pianinhos e corais, crianças com asinhas de anjo. Mas agora é praia. É a palavra. É férias. É o momento. Somos todos momentos, não me atravo a dizer a razão. Mas todos os dias nos dividem, em Ítalo Calvino e Ricardo Piglia, nos misturamos nas comédias dos suspenses de nossos cobertores. Somos felizes? Acho que sim, do nosso jeito de ser sem querer com todas as coisas e acontecimentos da vida. Nunca temos culpa e somos os maiores responsáveis.

Somos nós e desatos, a liberdade de estarmos presos a esses segmentos circulares, sem fim e nem começo de toda a vida. Inicia-se no mesmo momento que termina - ouço Martha cantando música de natal, quando fingia sapatear com os dedos sobre a escrivaninha -. Nossas imprecisões são de alguma forma decências. Cativo o meu lugarzinho, minha paixão; tudo num balaio que se mistura tristeza e vontade de chorar, com lamúrias e um bruto desejo de gargalhar na companhia das músicas e das pessoas mais adoráveis.

Sino toca, sentimento toca, a música também; o coração em compasso, a banda também. O meu destino escrito em almaço, o meu diário na brochura, os meus propósitos nas pautas da agenda do ano passado. Vingou 2007. Vingou 2006. Vingou 2005... Vingou 1979. É a precisão de sempre, o desejo desde de quando houve um porvir e uma sensação de que VIDA é um aforisma de discussão para as faculdades de filosofia - The Great Gig In The Sky. Um grito enorme ecoa, piano e piano. Melodia.

O disco toca já há um tempo, e não termina.

Não precisamos terminar. As nossas rotações são tão infinitas quanto às nossas necessidades de erros e acertos, equilíbrio que se metamorfosea em lírica vésper a se contar nos dias não nublados...

Quantas nuvens não houveram hoje para que pudéssemos contar as estrelas?

Quantas estrelas houveram hoje para que não se pudesse haver nuvens para que não as escondessem e então para que pudéssemos contá-las?

O disco toca, toca.

Como nós, ele não termina. Agora é só a hora do Lado B.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

(What's the Story)?

Sonhei que participava de uma patrulha polar. Patrulha polar que caçava borboleta nas geleiras derretidas. Sonho. Caminhava até Berwick Street. Caminhava. Chega. Hora de voltar a dormir, exato. Com todo o sentido.