No domingo a semana começa a ser revista, mas, na verdade, já nos preparamos para a outra, mas Chopin acalma, alivia... Ouvindo os noturnos, prelúdios e baladas deste genial pianista, o domingo brilha um pouco mais, visto da janela. Frédéric Chopin (1810-1849) com a sua elegíaca forma de compor e dar graça às notas que serão decifradas pelo piano; dá graça até mesmo na melancolia recorrente desta harmonia que envolve a sua obra. domingo, 25 de março de 2007
Domingo de Chopin
No domingo a semana começa a ser revista, mas, na verdade, já nos preparamos para a outra, mas Chopin acalma, alivia... Ouvindo os noturnos, prelúdios e baladas deste genial pianista, o domingo brilha um pouco mais, visto da janela. Frédéric Chopin (1810-1849) com a sua elegíaca forma de compor e dar graça às notas que serão decifradas pelo piano; dá graça até mesmo na melancolia recorrente desta harmonia que envolve a sua obra. segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Caçando Cassavetes
Boníssima hora - pouco antes das minhas férias do trabalho findarem o Cine Sesc começa a exibir uma mostra dos filmes de John Cassavetes. Para quem nunca se aventurou na busca daqueles que fizeram do cinema mais do que a perspectiva da ilusão, dos estúdios, da luz, da ação, a princípio isto não deva signifcar muita coisa ou até mesmo nada, mas, para mim é muito, aliás, é tudo.
Não sou afeiçoado a rótulos e, assim, acho um pouco sem sentido denominar o cinema de Cassavetes como underground, já que este termo está relacionado ao que está embaixo, ao subterrâneo, mas o seu cinema é superior, está muito acima. A filmografia de Cassavetes, embora anárquica ao mercado cinematográfico americano, se destaca com roteiros que focalizam o ser humano, as tensões e particularidades inerentes a este e o faz com qualidade e de forma única. Sim, é verdade que a sua cinegrafia ainda permanece pouco acessível e pouco explorada mesmo depois de quase 20 anos de sua morte. Mas tal denominação não está relacionada a qualidade de suas produções, mas sim relacionada a forma que elas foram feitas.
Com orçamentos baixíssimos e produções resvalando a um cinema caseiro, Cassavetes conseguiu o que parecia ser impossível para qualquer um nos Estados Unidos: fazer filmes fora de Hollywood e mais, ter notoriedade e ser aclamado por esta rebeldia. Mas não foi por falta de oportunidade que Cassavetes não ficou na Califórnia, mas por questões de ideologia artística, tal como podemos discutir como Kafka escrevia em alemão e não em tcheco, a sua língua pátria. Esse pararelo é ilustrativo e deve denotar que o "cinema pátria" americano sempre foi Hollywood desde o início da década de 20, quando as indústrias ou os pequenos estúdios (que depois viriam a se tornar gigantes) se transferiram de Nova York para Hollywood à busca de um lugar que tivesse "céu azul" durante todo o ano. E Cassavetes, de certa forma, parecia buscar o seu próprio "céu azul", a sua liberdade, por esta razão seguiu um marginal ao mainstream. Fazia cinema com não-profissionais, pois, segundo ele, a recompensa disso às pessoas que compunham a produção de seus filmes deveria ser algo diferente do dinheiro e estas pessoas deveriam estar "preparadas" a compor o este diverso e entusiástico processo criativo, e a buscar a razão deste nos próprios elementos cênicos e do drama. Os filmes de Cassavetes são quase um teatro vertidos a película - não à toa o diretor dava a liberdade aos atores para que improvisassem, tal como Mile Davis numa jazz session. Os elementos de encenação não eram rígidos e o drama estava focado, principalmente, nos personagens e nas angústias deles arroladas. Não é mera coincidência as semelhanças com Brecht, Beckett e Tennessee Williams, estes são base e referência de Cassavetes na construção e desenvolvimento dramático de seus roteiros (como de suas peças).
Cassavetes é um emblema da "arte pela arte", termo já tão démodé, principalmente hoje que dificilmente acredita-se no poder de criação dos artesãos e na força de suas obras. Com a argila dura atingem a universalidade moldando o barro, transformando o que outrora fora lama no espelho dos sentidos de quem observa a argila, contemplada com fascinação além, do que virá a ser cerâmica.
sábado, 3 de fevereiro de 2007
5 para as 6
Charlotte, por Willy Wanderperre O melhor feito de Jane e Serge se chama Charlotte. Com a marca registrada dos dois, Charlotte Gainsbourg mostra-se como um dos símbolos do novo cinema francês e, como o pai e a mãe, não se limita a um único ofício, a garota também canta e, diga-se de passagem, muito bem. Charlotte causou polêmica quando na adolescência fez um dueto com o pai na canção Lemon Incest, onde os dois aparecem com pouca roupa na cama recitando a canção. Essa canção viria a dar o nome ao seu primeiro álbum, lançado em 1998.
Mas a razão desta resenha é mesmo o mais recente álbum de Charlotte, 5:55, um dos melhores do ano de 2006. Bem produzido e repleto de belas canções, e sem delongas: você tem que ter. É doce e provocativo em todas as faixas, tal como em Beauty Mark, That Songs That We Sing e Little Monsters. Mas para fazer este álbum Charlotte se cercou do melhor, podemos dizer, que há hoje no mundo pop. O grande Jarvis Cocker, ex-líder do Pulp, e Neil Hannon, do The Divine Comedy, encarregados das letras acertaram em cheio. A parte musical foi delegada à dupla Air, Jean-Benoît Dunckel e Nicolas Godin, que também sempre acertam, não só nos seus álbuns como na excelente trilha sonora do filme As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides), dirigido pela Sofia Coppola. Charlotte não é boba, portanto, sabe muito bem que com um time destes fica muito mais fácil ganhar o jogo, ponto para ela e para o quarteto fantástico, que conseguiram construir uma das mais belas preciosidades do pop dos últimos tempos. A faixa título que abre o disco faz com que você sinta vontade de ouvi-lo inteiro logo de cara e a seguinte, AF607105, que é bem o estilo do Air, mostra que eles estão mesmo falando sério, mas bonito. As bases de piano são lindas que, acrescidas da voz sussurrante de Charlotte, fazem das canções declarações múltiplas, não só de amor.
Ding-dong, ding-dong. Do you hear the bells go ding-dong?
Não é Natal e creio ainda não estar louco, mas eu ouço os sinos tocarem, como se alertassem a todo o momento que precisamos viver pelo menos boa parte do tempo que nos é dado a usufruir deste plano. Comecemos um sábado, um domingo ou uma segunda-feira fazendo verdadeiramente o que queremos fazer. Esquecer um pouco o que "eles" querem, faz bem.
Ah, neste video poderá ver Gene Kelly e Liza Minelli numa apresentação inesquecível, com direito a um flashback. Bom para começar o sábado.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
Falling Star
