Mostrando postagens com marcador folk. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador folk. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de julho de 2007

Oh, My Darling


Estou com minhas costas doendo, doendo muito, talvez pela péssima postura nesta cadeira de plástico. E plástico é uma das matérias que simbolizam muito bem nossas ações e partidos neste início de século: seres constituídos de plástico. Mas há ainda quem seja feito de um material diferente, primitivo, pessoas de um jeito diferente que fazem um som não diferente, mas lúcido, e lucidez em meio a esta vã embriaguez de fumaça é tudo de que precisamos. Há pessoas que parecem manipular instrumentos já tão conhecidos de um jeito particular, e vozes conhecidas afinadas com nossos ouvidos e que reverberam por essa caixa de ressonância que têm sido nossos pensamentos, belos ou malditos. Basia Bulat não é diferente, mas não é igual, é Basia Bulat com sua voz de eterna súplica, de degeneração da música que ela mesmo fabrica. Até tentei achar algum paralelo, mas é difícil, ela não é somente linda e forte, mas sua voz é de um ritmo despreocupante que nos traz à atmosferas brancas e serenas, sua voz parece evocar chuva naquela tardezinha de sábado onde o sol já escaldante não faz muito sentido a não ser pelo próprio desgaste que a perda de água e a cabeça quente nos proporciona; com a chuva e a voz de Basia somos regenerados.
Basia Bulat é mais uma dessas lindas vozes vindas do Canadá, com seu folk levado ao sentido primeiro dessa palavra, é folclórico pela simplicidade conectada ao som rico em instrumentos e despretensão, o que a faz ainda mais bonita do que é, com seu enviesado olhar de anjo. Oh, My Darling é o seu primeiro e já viciante trabalho, e é ainda mais quando espera-se pela chuva de sábado à tarde ouvindo The Pilgriming Vine e Snakes and Ladders. Com um cheiro de chuva passando pela minha janela e a voz de Basia passando pelos meus ouvidos nesta tarde, minhas costas dóem menos.