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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Achado

Gefunden

Ich ging im Walde
So für mich hin,
Und nichts zu suchen,
Das war mein Sinn.

Im Schatten sah ich
Ein Blümchen stehn,
Wie Sterne leuchtend,
Wie Äuglein schön.

Ich wollt es brechen,
Da sagt es fein:
Soll ich zum Welken
Gebrochen sein?

Ich grub's mit allen
Den Würzlein aus.
Zum Garten trug ich's
Am hübschen Haus.

Und pflanzt es wieder
Am stillen Ort;
Nun zweigt es immer
Und blüht so fort.

Johann Wolfgang von Goethe (1813)


Achado

Há pouco permiti-me
Fazer um passeio no bosque
E não procurar por nada,
Este era o meu desejo.

Mas, ali na sombra, vi
Uma flor plantada,
Cintilava como estrelas,
Como lindos olhos.

Desejei pegá-la,
Quando, gentilmente, ela dirigiu-se a mim:
Quer mesmo me pegar,
Só para me ver murchar?

Então levei-a a um jardim,
Com todas as suas raízes
Para contribuir com sua beleza
Em uma casa também tão bela.

Plantei-a novamente
Em lugar arejado;
Agora, seus ramos crescem
E florescem para mim, para sempre.

(Tradução de Marcelo Maia Torres)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Atmosphere


Posterguei por (ou postergaram por mim) 7 meses, mas vi, finalmente, Control, a cinebiografia de Ian Curtis, vocalista do Joy Division.
Ian foi o meandro de uma turbulência, de um escape de um momento acre, doce, bonito e doloroso: minha adolescência. Já na minha adolescência, quando procurava amparatos ou figuras onde pudesse repousar as minhas perspectivas, como muitos, ainda tinha rockstars como uma das sínteses das deflagrações e representações das minhas angústias de então. A minha fase, quase PERMANENTE, alienava-se das celebrações ou das aglomerações, de lugares de muita gente, preferia ficar em casa, especificamente no quadrado do meu quarto, lendo, apreciando as minhas novas aquisições, dentre elas As Iluminuras ou Uma Temporada no Inferno, de Arthur Rimbaud. Isso aos 17. Arcabouço literário construído pela necessidade de me fundir a um ente como o meu, um espectro bajulando alimento e de algo para partilhar carência, dividir afeto, conseguir entender de uma forma mais ampla as divindades que contornavam a aura dos anjos rebeldes. As vozes de Jimbo (Jim Morrisson) e Ian ressoavam neste espaço como teares das idéias perdidas, encontradas em versos, música, gritos, auto-absolvições...
Essas vozes graves riscaram os momentos pré-felicidade dos 18, pós-perda do pai. Apesar de momentos novos na vida, tudo parecida já ter sido vivido, rememoriavam de uma vida de que eu não me lembrava, mas nada era tão novo quanto deveria parecer ser. Talvez efeito de uma mente lapidada também pelas páginas de outro Arthur, o Conan Doyle, o embate das idéias de ambos estava deflagrado em minha cabeça.
Sintonizava-me em Transmission, do Joy, compunha-me em Yes, The River Knows, dos Doors.
Essa era a SUBSTÂNCIA. A clemência, o fomento de outros embates... Conhecendo as estações do ano, vivificando-as nos trópicos onde não há estações, onde as praias são sublimes, mas não para quem vive num quarto de uma cidade de todas as luzes de prata para amperar os sentidos, medir a situação, perceber a morte da forma mais vívida, conhecer-se adulto. Isolation fazia muito sentido.
Ian Curtis foi importante, é importante, ainda ouço as suas músicas com fulgor, mas tudo é mais calculado hoje, menos idealizado, e ainda mais sincopado com as linhas do baixo elétrico do Joy, e, assim, parece que a razão de suas canções hoje é maior do que na ocasião em que foram concebidas, há quase 30 anos, ou quando as concebi, há mais de 10 anos. - Joy Division ainda é uma suma de uma parte de minha vida, mais ainda do que quando vestia a camiseta estampada com a capa de Closer no peito...

domingo, 11 de maio de 2008

Marina Tsvetayeva

Domingo à tarde, dia das mães:


Silêncio, palmas!
Cessa o teu apelo,
Sucesso!
Um só palmo:
Mesa e cotovelo.
Cala-te, festa!
Cotação, contém-te!
Cotovelo e testa.
Cotovelo e monte.
Juventude - rir.
Velhice - aquecer.
Que tempo pra ser?
Para onde ir?
Mesmo num tugúrio,
Sem uma pessoa:
Torneira - murmúrio,
Cadeira - ressoa,
Boca recomenda
- Mole caramelo -
Mais uma comenda
"Pelo amor do Belo".
Se vocês soubessem,
Longe ou perto, gente,
Como esta cabeça
Me deixa doente.
-Deus numa quadrilha!
A estepe é vala,
Paraíso - ilha
Onde não se fala.
Macho - animal,
Dono - vender!
A Deus é igual
O que me der.
(Venham de vez
Dias a juros!)
Pata a mudez -
Quatro muros.

Marina Tsvetayeva
(Trad. Augusto de Campos e Boris Schnaiderman)